Os músicos tocam baixinho
Uma suave música fininha
Que sobe prás estrelinhas
Do céu pintado de azul.
Gira e regira na praça
A eterna zanga-burrinha
– Tão engraçadinha
Olha a calma do pescador
Pescando sempre o mesmo peixe
Com o mesmo anzol.
Olha o barqueiro que não é Pedro...
Os meninos perfilados germânicos
Entram na igreja
E saem depressa
E tornam a entrar.
(E tornam a sair)
A atmosfera febril de trabalho
Ferreiros sapateiros mexendo
A calma das casas subindo a ladeira
Descendo a ladeira e os bichos
Cândidos bichos de papelão
Rodeando o menino Jesus que abençoa aquilo tudo!
Meus olhos mineiros namoram o presepe
e dizem alegres: Mas que bonito!
Carlos Drummond de Andrade
(sob o pseudônimo de Antônio Chrispim)
Diário de Minas, 30 de janeiro de 1927.
O Museu de História Natural e Jardim Botânico (MHNJB) da UFMG guarda um importante tesouro da arte popular – o Presépio do Pipiripau. Criado ao longo do século XX, pelo artesão Raimundo Machado, sincroniza 586 figuras móveis, distribuídas por 45 cenas, que contam a história da vida e da morte de Jesus Cristo, costurada ao cotidiano de uma cidade, com sua variedade de artes e ofícios.
Veja também sobre o Presépio do Pipiripau:
A obra
O artista
Presépio do Pipiripin
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